A tauromaquia, mais do que uma atividade de grande tradição no concelho e em particular na cidade de Vila Franca de Xira, representa um forte instrumento de afirmação identitária e cultural, sendo um fator aglutinador da população local e de quem nos visita, que aqui se unem para exaltar os valores e os rituais desta atividade, e homenagear os seus elementos fundamentais, como sejam o Touro bravo, antes de mais, mas também os Cavaleiros e Matadores de toiros, cuja arte engrandece o nome do Município, os Forcados, cuja bravura demonstrada por sucessivas gerações é credora do respeito de todo um povo, e ainda, o Campino, figura ímpar e expressiva das imensas lezírias ribatejanas.
A expressão mais ampla da tauromaquia, enquanto marca identitária do concelho e um dos seus expoentes máximos de difusão cultural, encontra-se sem dúvida nas festividades associadas ao “Colete Encarnado”, que atraem um grande número, não apenas de aficionados, mas de visitantes vindo de todos os cantos de Portugal e também do Estrangeiro, pelo que se afigura uma oportunidade ímpar de promoção e afirmação turística e cultural de Vila Franca de Xira, reforçada pela recente nomeação do “Colete Encarnado” como uma das sete maravilhas da cultura popular portuguesa.
Mas a importância da tauromaquia não se esgota no “Colete Encarnado”,
registando-se ainda no calendário municipal três importantes eventos
anuais, que fazem com que muitos milhares de pessoas acorram à cidade: a
Feira de Maio, a Feira de Outubro e a Semana da Cultura Tauromáquica.
Pelas massas que movimenta e pelas atividades económicas que, direta e
indiretamente, potencia, a tauromaquia representa, pois, um relevante
fator de desenvolvimento cultural, económico e social, sendo ainda
importante, no contexto turístico, enquanto atividade potencialmente
agregadora e catalisadora de sinergias entre diversas entidades, tais
como a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, as associações locais,
as tertúlias tauromáquicas, os empresários ligados à tauromaquia e à
arte equestre, os centros de estudos etnológicos, entre outras
entidades.
Importa, assim, alargar, incrementar e desenvolver a oferta turística em
torno desta tradição singular do nosso município, e que respeite ao
mesmo tempo a tauromaquia enquanto um ativo patrimonial e cultural
inquebrantável, através de um conjunto de medidas concretas, tais como:
• Criação do Museu da Tauromaquia, em local adequado ao significado e
relevância da atividade;
• Estabelecimento de um programa de visitas à centenária praça de toiros
“Palha Blanco’’;
• Estabelecimento de parcerias com ganadarias que aproximem os cidadãos
do campo e do Toiro, através de programas de visitas guiadas, que
possibilitem o desfrute de reservas ecológicas nacionais, e que
proporcionem experiências de turismo rural;
• Criação de um roteiro tauromáquico no Concelho de Vila Franca de Xira,
que contemple o contato direto com as Tertúlias Tauromáquicas e seja
assente no triângulo gastronomia – lazer/recreio/natureza – património
cultural;
• Reforço da rede de cooperação entre os municípios taurinos, com vista
ao desenvolvimento de projetos comuns, que estruturem e desenvolvam a
oferta turística existente;
• Estabelecimento de protocolos de cooperação entre a CMVFX e as
associações taurinas locais, que respeitem a autonomia do associativismo
e reforcem o seu papel na dinamização dos eventos do município ligados à
tauromaquia, em especial a Semana da Cultura Tauromáquica;
• Incremento, em parceria com a Escola José Falcão, dos espetáculos na
Praça Palha Blanco e no Tentadeiro do Cabo, que demonstrem a cultura
tauromáquica a quem nos visite e que funcionem como espaço privilegiado
de integração e desenvolvimento dos jovens vila-franquenses,
restabelecendo as pontes entre a cidade, o rio e o campo.
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